sábado, 21 de fevereiro de 2015

Vícios a dois

Depois de dois anos, ela voltou a encontrá-lo. Ela olhou e nada sentiu. Nada. Como se não o conhecesse, como se nunca o tivesse visto. E ele, faminto pelas saudades, pediu, quase implorou um beijo. Apenas um beijo. Um beijo por tudo o que viveram, um mero beijo, nada demais. Esse foi seu erro. Concordar com ele. Conceder o tal beijo, sob o pretexto de paz. Mas vícios são eternos. Vícios são vícios porque são bons. Ou pelo menos, bons no início. E ela, que largara o cigarro fazia dez anos, sentiu naquele beijo algo como se tivesse caído na tentação da primeira tragada. A melhor de todas, sempre. E tal como dependente que larga o vício só para voltar a ter aquela sensação de início novamente, ela esqueceu tudo de ruim, tudo de amargo, tudo que o vício havia nela causado e o beijou longamente, loucamente até o dia seguinte. Até se dar conta do que fizera, com aquele arrependimento dos devassos depois que o efeito da maravilha acaba. O que tinha, afinal, de tão viciante naqueles lábios? Naquela barba imperfeita, naquela língua perturbadora? O que tinha? O que tinha ele que insistia em roubar sua paz, arduamente conquistada? E imediatamente sentiu vontade de acender um cigarro. E dar uma longa e única tragada. Única. Como uma recompensa pelos dez anos. Não, não. Não podia. Ai, que vontade. Não, recair não. Sabia que a paz só seria construída sem vícios, com sentimentos possíveis, controlados, inteligentes. Ah, também sem exageros. O beijo foi bom e tal, mas um beijo é só um beijo, só beijos, só saliva, só... saudades, ah, que saudades desse vício. Que coisa é essa que nos leva a caminhos que não queremos? Ela que estudara por meses os males do cigarro estava prestes a uma tragada, à melhor delas. É ela que vicia. Sabia. Lembrava quando fumou pela primeira vez, na escola ainda. Foi aquela coisa bem de turma mesmo. Via todo mundo fumando e desdenhava. Um dia uma amiga deixou um maço na sua casa. E ela fumou na frente do espelho. Não foi a sensação da tragada que a encantou. Mas sim o jeito provocante que achou que o cigarro lhe dava. Sim, fumar era muito sensual. E a primeira tragada só aconteceu alguns maços depois. Foi quase sem querer. Ela fingia que fumava e não fumava. Daquela vez, estava conversando, sentindo-se ótima e deu uma tragada. Uau, o que era aquilo! E essa sensação só voltou a sentir uma única vez. Quando o beijou. Um beijo improvável, difícil, demorado, oculto, óbvio. Um beijo que lhe tirou a paz pelo resto daquela noite e das demais. Ficava um tempo sem vê-lo e quando estava quase achando normal a vida sem aquela boca, lá vinha ela – a boca dele - a refrescar a memória da sua pele. A injetar nova dose de nicotina nos seus pulmões quase limpos. E seu sistema respiratório enchia-se de uma fumaça alegre e inevitável. Dessa vez, porém, achava que estava livre. Achava que jamais o beijaria novamente, pois suas vidas assim exigiam. Ela em paz. Ele em equilíbrio. Então, ele a procura. E ela não resiste. Que paz, que equilíbrio? Agora ela sabia que o equilíbrio dele dependia dela. E que sua paz só seria conquistada ao lado dele. Afinal, todos temos vícios.

domingo, 28 de agosto de 2011

Suspirar

           Confesso aos meus leitores que estou escrevendo pouco por aqui. Mas imaginação e palavras não me faltam, me falta sim, tempo.
           Nos últimos dias pude compartilhar com alguns amigos a sensação indescritível de começar um trabalho que ainda dará bons frutos com as poesias do livro Memorias Inventadas, de Manoel de Barros.
         Venha daí quem sabe, uma fonte de palavras montadas, com formas e sentidos, de desconstruir o ver.

sábado, 12 de março de 2011

Compor

A composição é algo inexplicavel quando inesperada, quando proposital não é tal quanto natural.



        O Valor        
    Não   é a Cor      
     Pois o Sabor 
  So quem Conhece  
    Compositor   




sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Preto é preto....

Entre o deleite de uma noite e pele clara contento-me com o aprazimento de senti-la no inverso. 
Dentro de tal escuridão, apetitivo voou aos céus em paralelas formas de amar.
No espírito grita-te o doce homem de preto com epiderme que exala mais que um raça,
enlouquece os instintos fraternais e de agrado ao possuí-la no mais simples toque,
de expressões nos tímpanos que vibram na mesma freqüência. 


Meu corpo à tua espera
exalava cheiros mais prazerosos
do que uma harmonia entre as vibrações pulsantes
 dos teus dedos em bemol          








sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Foto: Bárbara Viana





    Ao som de bons ruídos sonoros sempre da vontade 
de dá, 
uma aumentada nos volumes possíveis dentro de uma 
compreensão entre a mão e os tímpanos 
exalados em uma escala de dá dó!

                 

Apetite...






Devoro o apetite insaciável do conhecimento de 200 e poucas novas fontes de prazeres e orgasmos simultâneos.

Fazer o que?

EU LEIO LIVROS...